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Bandidos do Bonde do Maluco são responsáveis por morte de rodoviário

Publicado 27/07/2017

/ Por: redacao@noticiasdealagoinhas.com.br

(Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Dois homens ligados à facção Bonde do Maluco (BDM) foram presos, nesta quarta-feira (26), suspeitos de envolvimento na morte do motorista de ônibus Osvaldo Mathias da Conceição Filho, 55 anos. Ele foi executado a tiros no dia 13 deste mês, no bairro de Campinas de Pirajá, em Salvador. Adailton da Silva Souza, o Keno, 28, e Heric Lenne Batista de Matos Mendes, 21, são apontados pela Polícia Civil como autores dos disparos que tiraram a vida do rodoviário.

Com um dos suspeitos, a polícia apreendeu uma pistola 380, com numeração raspada, que pode ter sido utilizada no crime - a arma foi encaminhada à perícia do Departamento de Polícia Técnica (DPT). Já estava preso, desde a amanhã do dia 13, Wellington da Silva, 26, vulgo Porquinho, que teria participado do crime como olheiro, alertando à facção BDM sobre uma suposta proximidade entre Osvaldo e policiais. Foi por meio da da prisão de Porquinho - que teria sido criado junto com a vítima, segundo a Polícia Civil - que os investigadores chegaram até Adailton.

Conforme o delegado da 4ª Delegacia (São Caetano) responsável pela investigação, Roberto Passarinho, Adailton, Heric, e um terceiro homem, em duas motos, seguiram e acompanharam o rodoviário até a porta de casa. "Em depoimento, ele [Keno] assumiu tudo e revelou que Porquinho teria contado ao chefe da facção, o Leozinho, que a vítima estava dando informações sobre o tráfico para a polícia, o que teria motivado o assassinato", relatou o delegado, durante a apresentação dos dois presos, na manhã desta quinta-feira (27).

"O primeiro disparo foi efetuado por Adailton, o segundo tiro quem deu foi Heric. Os outros dois disparos foram efetuados pelo quarto envolvido", disse o delegado, acrescentando que o nome do quarto suspeito não seria divulgado para não atrapalhar a polícia. À imprensa, porém, ambos negaram participação no crime. Ao CORREIO, Keno disse que sequer conhecia o rodoviário. "Peixe e Estevão que mataram ele, eu não tenho nada a ver com isso. Assumi para a polícia porque fiquei com medo", afirmou, fazendo referência a outros dois traficantes do bando.

(Foto: Divulgação/Polícia Civil)
De acordo com o delegado, Adailton assegurou, em depoimento, a participação de Heric que, por sua vez, disse que não entende o porquê de ter sido acusado por Keno. "Eu só estava passando pelo local quando a polícia chegou, não corri porque não devo nada. Me prenderam e eu tô aqui. Sou apenas usuário de drogas", disse Heric ao CORREIO. Ambos afirmaram à reportagem que são funcionários de um lava-jato.

Embora as investigações mostrem que Osvaldo foi morto porque, supostamente, informava à polícia sobre a configuração do tráfico na região, Roberto Passarinho não cofirmou se, de fato, a vítima tinha ligação com alguém da polícia. "Em geral, traficantes agem assim. Como uma maneira de intimidar a população, e mostrar o que são capazes de fazer quando eles desconfiam que alguém que mora no local está fazendo denúncias. Eles são cruéis como uma maneira de oprimir e intimidar", esclarece o delegado.

Prisões

Após a divulgação das imagens de Wellington, que foi preso com drogas ainda na manhã do crime, a polícia recebeu informações anônimas sugerindo os nomes dos outros envolvidos. As investigações, segundo o delegado, levaram até Adailton e Heric. O primeiro a ser preso foi Adailton, por volta do meio-dia de ontem (26), em Campinas de Pirajá. Ele estava sob posse de dois celulares - segundo o próprio preso, frutos de um assalto praticado contra operários no km 621 da BR-324, nos dia 21 e 22 de junho.

Além de afirmar o envolvimento de Heric, Roberto Passarinho contou que chegou até ele através de Adailton. Ao chegar no local, a casa de Nando da Bazuca, apontado como gerente do tráfico da localidade conhecida como Inferninho, em Marechal Rondon, os agentes encontraram Heric e uma jovem identificada como Tamiris Santos Barros, 19, em posse de drogas e a pistola 380 que pode ter sido utilizada para matar Osvaldo Mathias.

Segundo a polícia, embora Tamiris não tenha participação direta na morte do rodoviário, ela é esposa de Nando da Bazuca, morava na casa e era responsável por esconder a arma. Nando e um outro comparsa, identificado como Alan Cabeça, conseguiram fugir. Eles são procurados pela Polícia Civil.

À imprensa, Tamiris negou ter conhecimento de que o marido tem envolvimento com o crime. Diferente de Keno e Herick, que têm passagens por tráfico e roubo, a mulher nunca foi presa. “O trio é oriundo da localidade do Inferninho, no bairro de Marechal Rondon, e integram uma quadrilha responsável por tráfico de drogas e homicídios que age naquela região”, pontuou Passarinho.

As prisões foram efetuadas em parceria com a 9ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Pirajá), sob o comando do major Barros. "É complicado porque é uma região que tem um grande movimento do tráfico e uma topografia que dificulta o trabalho da polícia", acrescentou o major.

Adailton vai responder por roubo e homicídio. Já Tamiris e Heric foram autuados em flagrante por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Os três serão apresentados para a audiência de custódia na tarde desta quinta-feira, na Central de Flagrantes.

(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)
O crime

O crime aconteceu no dia 13, por volta das 5h, na Rua Geolândia. Segundo a polícia, os bandidos estavam em duas motos e acompanharam Osvaldo do momento em que ele desceu do ônibus, retornando do trabalho, até chegar na frente da casa da ex-mulher. A vítima foi atingida por quatro disparos e morreu no local.

Osvaldo, que fazia a linha Estação Pirajá/Baixa dos Sapateiros, convivia há cerca de 20 anos com a sua atual mulher, a comerciante Isabel Silva, 53, na Rua Senhor do Bonfim, próximo ao local do crime - em frente à casa da ex, a doméstica Jaciara dos Santos, 57, com quem ele tinha dois filhos.

O corpo do rodoviário foi retirado do local por volta das 7h. Horas depois, os parentes dele ainda tentavam apagar as marcas de sangue que ficaram espalhadas na calçada e nas paredes da residência da sua antiga esposa. "Por que fizeram isso com ele? Como eu vou viver agora? Ele não merecia isso. Só mataram ele porque eu não estava em casa", disse a doméstica Jaciara.

O motorista deixou quatro filhos e cinco netos. "Ele se preocupava com eles, por isso que vinha aqui todos os dias. Escutei os tiros e pelo horário imaginei que seria com ele, eu disse: 'Jesus guarde meu irmão'", conta a irmã do rodoviário, Raimunda Cerqueira Santana, 67.

Do Correio
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