Transmissão de zika por pernilongo pode explicar incidência em Nordeste

Foto: Sumaia Villela / Agência Brasil
A descoberta de que o pernilongo é capaz de transmitir o vírus Zika, feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco (relembre), pode auxiliar na compreensão dos motivos que levaram a epidemia a se agravar em algumas regiões do país ou o motivo pelo qual existem mais bebês com microcefalia em bebês de mulheres de baixa renda. O mosquito Culex se reproduz em água extremamente poluída, comum onde não há saneamento básico. Isso explicaria o agravamento da epidemia em algumas regiões.

Mas os pesquisadores ainda precisam estabelecer a conexão e importância do inseto como vetor da doença. Os pesquisadores comprovam que o Zika se reproduz dentro dos mosquitos e chega à glândula salivar dos insetos. Para se compreender o papel do inseto, as características biológicas do Culex deverão ser estudadas. De acordo com informações da pesquisadora da Fiocruz, Constância Ayres, questões como temperatura e umidade também serão levadas em conta. “Precisamos entender qual o papel dele na transmissão, se ele é um vetor secundário, se é primário ou se não tem importância nenhuma.

Isso vai depender de outros aspectos biológicos que são característicos dessa espécie, como a longevidade, a abundância em campo, a preferência de se alimentar com o ser humano. A gente precisa investigar isso dentro do contexto urbano onde está a epidemia e comparar essas características com a espécie que é hoje considerada o principal vetor, que é o Aedes aegypti”, afirmou Constância.

A maior incidência de casos no Nordeste ou em áreas sem esgotamento sanitário pode ser explicada, caso o vetor seja considerado importante. “De fato, aqui [no Recife] temos condições precárias que permitem a reprodução do vírus de forma muito intensa. A coleta do lixo, esgoto a céu aberto, inúmeros canais no Recife, que favorecem a replicação do mosquito. O Culex representa nossa falta de estrutura de saneamento básico. Isso é evidente em toda a cidade e favorece a distribuição do mosquito”, disse.

Mesmo contendo maior quantidade de insetos, o Culex seria mais fácil de controlar do que o Aedes aegypti. “A quantidade de criadouros do Aedes é infinita. Pode ser uma tampinha, um pneu, uma calha, piscina, caixa d'agua, então é impossível mapear todos os ambientes. E ele prefere água limpa. Mas o Culex prefere água extremamente poluída, que são os canais, esgotos, fossa. Você consegue mapear e tratar”, explicou.

Do BN
Transmissão de zika por pernilongo pode explicar incidência em Nordeste Transmissão de zika por pernilongo pode explicar incidência em Nordeste Reviewed by Portal Notícias de Alagoinhas on agosto 12, 2017 Rating: 5
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