Ministro da Defesa diz que penitenciárias são 'incubadora do crime organizado'

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O modelo das Forças Armadas ocupando uma área, como o Complexo do Alemão ou da Maré, no Rio, está enterrado. Ao menos na atual gestão. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou que os militares continuarão a atuar "sob demanda", usando seu grande contingente para o cerco de áreas em apoio às polícias e na área de inteligência.

O modelo anterior, segundo ele, tinha como único resultado "dar férias para os bandidos". Em entrevista ao Estadão, ele fez seu balanço sobre o uso das ações dos militares em missões de Garantia de Lei e Ordem (GLO) no País. Ao ser questionado se esta tendência de participação da FAB é sustentável a longo prazo, Jungmann fez suas ponderações: “O que eu tenho observado é que predominam, no caso das GLOs, as ações ligadas à greve de polícia, que é uma questão de segurança pública, e de combate à violência urbana.

Somando os dois dados chega-se a 36% [o ministro refere-se à consolidação dos dados feitos pelo Ministério da Defesa], o que representa a emergência na área da segurança pública do País nas últimas duas décadas. Representa também uma opção do constituinte, que deixou 80% das responsabilidades da segurança pública com os Estados. A União ficou com 20%, com o combate ao tráfico internacional de drogas e armas.

E não se criou nenhum corpo intermediário entre as Forças Armadas e as forças regulares da segurança pública para que atuasse nas situações extraordinárias, excepcionais, onde você tem a falência ou incapacidade dos governos estaduais de manter a segurança. O que eu quero dizer com isso? Estou pensando nos Estados Unidos, que têm a Guarda Nacional, que é exatamente esse corpo que desempenha esse papel”.

O ministro destacou ainda que na ausência de uma Polícia Militar Federal no Brasil, o que se tem “é um arremedo, que é a Força Nacional, que cumpre sua função, mas precisa ser permanente, senão você tem a banalização da GLO”. Ele diz ainda que a “banalização” da GLO não é boa para as Forças Armadas e o país, já que tais instituições não têm “treinamento e muito menos vocação para substituir as polícias”.

O ministro comentou ainda o emprego das Forças nas penitenciárias. “Um em cada três presos - e nós já fizemos mais de 30 varreduras - está armado. Ou seja, os nossos presídios e penitenciárias são peneiras e são home office do crime organizado.

Esse é um dos problemas centrais da nossa segurança: nós não somos capazes de cortar o comando de quem está preso e, aliás, grande parte dessas gangues surgiu no sistema penitenciário, que é uma espécie de incubadora do crime organizado”, enfatizou, acrescentando que a atual conjuntura da segurança pública em alguns estados, sem novos concursos públicos para polícia e sistemas prisionais saturados, contribui para este quadro. “Se nós [Exército] vamos para policiamento das ruas, isso isoladamente é dar férias aos bandidos.

Quando você põe as tropas nas ruas, o crime se retrai. Porque ele sabe que nós não podemos ficar lá muito tempo. Seja porque ele sabe que a lei não permite, seja porque é muito caro. Quando nós saímos, eles voltam. Ou seja, você não golpeia a capacidade operacional do crime”, afirmou Raul Jungmann.

Do BN
Ministro da Defesa diz que penitenciárias são 'incubadora do crime organizado' Ministro da Defesa diz que penitenciárias são 'incubadora do crime organizado' Reviewed by Portal Notícias de Alagoinhas on janeiro 01, 2018 Rating: 5
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