LUTO: Morre Winnie Mandela, ativista antiapartheid sul-africana

Foto: Reprodução
CIDADE DO CABO - A ativista política contra o apartheid Winnie Madikizela-Mandela morreu nesta segunda feira na África do Sul, aos 81 anos. Nome proeminente na luta contra o regime de segregação racial mantido pelo governo da minoria branca sul-africana durante 46 anos, Winnie foi casada durante 38 anos com Nelson Mandela, que viria a se tornar o primeiro presidente negro eleito no país, em 1994, depois do fim do apartheid.

"Ela faleceu em decorrência de uma longa doença, pela qual foi hospitalizada várias vezes desde o início do ano. Partiu em paz no início da tarde desta segunda-feira, cercada por sua família", disse seu porta-voz, Victor Dlamini.

Dos 38 anos em que Winnie e Nelson Mandela ficaram casados, em 27 ele estava preso. Ela foi detida inúmeras vezes enquanto fazia campanha por sua libertação, ficou 18 meses em uma solitária de 1,5 metros por 3 metros, e depois foi banida durante oito anos para a remota cidade de Brandfort, entre 1977 e 1985.

O arcebispo anglicano Desmond Tutu, outra figura de proa da luta contra o apartheid, disse em um comunicado que Winnie Mandela foi "um grande símbolo" dessa batalha. "Ela se negou a ceder diante do encarceramento do marido, da perseguição a sua família por parte das forças de segurança, das detenções, das proibições e do desterro. Sua atitude me inspirou profundamente, assim como a gerações de lutadores", disse Tutu em um comunicado generoso, que relevou as divergências graves que os dois tiveram publicamente nos anos 90.

Aclamada como a "mãe" da nova África do Sul, o legado de Winnie Madikizela-Mandela se tornou controvertido nos momentos finais do apartheid, quando foi acusada de manter um grupo paramilitar que perseguia violentamente seus inimigos políticos. Em 1991, um ano depois da libertação do marido, ela foi condenada por envolvimento no sequestro e assassinato no Ano Novo de 1989 de Stompie Seipei, de 14 anos, acusado de ser um informante da polícia no bairro negro de Soweto, em Johanesburgo, onde a família Mandela vivia.

O crime foi atribuído ao Clube de Futebol Mandela United, que Winnie criara ao voltar a Soweto do banimento em Brandfort, e que era suspeito de promover justiça sumária no bairro. Ela apelou da sentença, e a Justiça manteve a condenação por participação em sequestro, mas derrubou a de envolvimento em assassinato. A sentença acabou suspensa, e Winnie foi condenada a pagar uma multa.

Mandela apoiou publicamente a mulher durante o julgamento, mas os dois viriam a se separar logo depois, em 1992. Na época, o líder antiapartheid disse que a tenacidade da mulher fez aumentar seu "respeito pessoal, amor e afeição" por ela. No processo de divórcio, em 1994, porém, ele diria que ao deixar a prisão encontrara uma Winnie modificada. "Eu era o homem mais solitário no período em que fiquei com ela", disse Mandela, que viria a se casar com Graça Machel, viúva do líder da independência de Moçambique, Samora Machel.

ACUSADA NA COMISSÃO DA VERDADE

Em 1998, diante da Comissão da Verdade e Reconciliação, criada para investigar atrocidades cometidas pelos dois lados durante o apartheid, Winnie se recusou a expressar remorso por violações de direitos humanos por que foi responsabilizada. Somente depois de um apelo emocionado do arcebispo Desmond Tutu, que presidiu a Comissão, ela admitiu que "as coisas deram horrivelmente errado".

Do O Globo
LUTO: Morre Winnie Mandela, ativista antiapartheid sul-africana LUTO: Morre Winnie Mandela, ativista antiapartheid sul-africana Reviewed by Portal Notícias de Alagoinhas on abril 02, 2018 Rating: 5
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