João de Deus selecionava vítimas para atos libidinosos, diz polícia

 Renan Truffi, enviado especial
A Polícia Civil de Goiás deve encerrar até sexta-feira os primeiros inquéritos contra o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus. A investigação, que apura 15 casos de abuso sexual, vai apontar que o líder religioso selecionava suas vítimas, normalmente mulheres entre 25 e 40 anos, e usava do desconhecimento das pessoas para fazer parecer que os atos libidinosos eram parte de um atendimento espiritual comum.

Na terça-feira, 18, a Justiça de Goiás rejeitou pedido de habeas corpus em favor de João de Deus. "Discordamos da decisão e vamos recorrer ao Superior Tribunal de Justiça", afirmou o advogado Alberto Zacharias Toron.

Antes de encerrar os inquéritos, a Polícia Civil de Goiás fez na terça, por mais de quatro de horas, uma operação em pelo menos três endereços em Abadiânia (GO). São eles: a Casa Dom Inácio de Loyola, onde João de Deus fazia atendimentos espirituais, a residência pessoal e o endereço de uma entidade comunitária, conhecida como Casa da Sopa. Da casa onde mora João de Deus, a polícia retirou um malote de documentos e mídias. Na Dom Inácio, os policiais passaram pelo escritório administrativo, salões de culto e salas pessoais do médium.

Investigações

Na conclusão dos inquéritos, os policiais devem explicar parte do padrão de comportamento do líder religioso com as mulheres que o acusam do abuso. Segundo as investigações, João de Deus selecionava as potenciais vítimas para um atendimento privativo e trancava a porta do ambiente em que fazia essa consulta.

A maioria das mulheres relata que, sentado em uma poltrona, ele pedia para que as vítimas se posicionassem de costas, com olhos fechados. E iniciava uma espécie de massagem nas pacientes. De acordo com os policiais, João de Deus pedia para que as mulheres colocassem os braços para trás e, muitas vezes, repetissem a massagem nele, às vezes, sob a desculpa de "passar energia". A partir daí, o médium praticava abusos, fazendo com que as mulheres o tocassem nas partes genitais.

É por esse tipo de comportamento que ele deve ser indiciado por violência sexual mediante fraude. Na avaliação da polícia, a forma de atuar de João de Deus tinha o objetivo de fazer parecer que essas práticas eram para a "cura" dos problemas espirituais. "É uma situação em que a pessoa está sob fraude porque ela está sendo enganada de que aquele procedimento é necessário, que aquela energia vai acontecer", disse a delegada Karla Fernandes, coordenadora da força-tarefa.

Do Atarde
João de Deus selecionava vítimas para atos libidinosos, diz polícia João de Deus selecionava vítimas para atos libidinosos, diz polícia Reviewed by Portal Notícias de Alagoinhas on dezembro 19, 2018 Rating: 5
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