Foto: Beatriz Bulhões/Aratu On
A Polícia Civil investiga se a chacina ocorrida na Avenida Juracy Magalhães, em Salvador, tem relação com a morte dos quatro motoristas de aplicativo no bairro do Jardim Santo Inácio.

A informação foi dada ao Aratu On por agentes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) nesta segunda-feira (16/12). O quebra-cabeça montado pela polícia passa por um detalhe: as quatro vítimas do último caso, que aconteceu no sábado (14/12), tinham algum tipo de relação com Jerfeson Palmeira Soares Santos, conhecido como "Jel"?

O traficante, que seria o mandante da carnificina contra os trabalhadores, foi morto supostamente por rivais quase que no mesmo instante que Ana Paula Ramos da Silva, de 18 anos; Diogenes Rosário da Rocha, 29; Suedson Oliveira Coelho, 38; e de uma criança de um ano.

Os investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) já sabem que pelo menos Suedson tinha ligação com a Mata Escura, mesma região onde "Jel" atuava e onde os corpos dos motoristas de app foram achados. Ele, Ana, Diogenes e o bebê foram sequestrados na região do Cabula por bandidos que estariam a bordo de um carro branco. Suedson estava com uma roupa de mototaxista quando foi surpreendido.

Foto: Beatriz Bulhões/Aratu On
Por meio de nota, a Polícia Militar informou que populares acionaram equipes da 26ª Companhia Independente (CIPM) e relataram dois homens e uma mulher amarrados haviam sido alvejados após desembarcarem de um carro com as mesmas características do visto no Cabula.

CASO

Foram mortos na chacina Alisson Silva Nascimento Santos, de 27 anos; Sávio da Silva, de 23; Daniel Santos Silva, 31; e Genivaldo da Silva Filho. Uma quinta vítima, Nivaldo Santos Vieira, conseguiu escapar dos criminosos e chamar a PM, por volta das 6h. Em áudios divulgados nas redes sociais, ele detalhou os momentos de terror que passou com os criminosos em um barraco de madeira da comunidade.

"Disseram que matariam com requinte de crueldade, que iam derramar sangue. Cortaram o cara todo com facão e depois deram tiro. Foi feio. Muito feio", lembrou. "Queria muito viver para contar essa história. Tenho muita fé em Deus. Fui ao IML [Instituto Médico Legal] e encontrei as famílias dos caras... é doloroso demais, não sei o que falar, não...", narrou Nivaldo.



Suspeita-se que os homens tenham sido atraídos por duas travestis que solicitaram corridas. Durante a viagem, os trabalhadores teriam sido abordados e levados para um barraco. O imóvel é pequeno. Pela manhã, várias gotas de sangue foram encontradas no local, o que reforça a tese que todos tenham sido torturados, executados e colocados em sacos.

PROTESTO

Na manhã desta segunda-feira (16/12), motoristas de aplicativo fizeram um ato no Centro Administrativo da Bahia em memória aos colegas mortos. O grupo, que se reuniu com a cúpula da Secretaria da Segurança Pública, realizou também carreatas pelas ruas da capital baiana.

“A polícia está toda empenhada em elucidar este crime bárbaro, sem precedentes. Um crime totalmente atípico que não ficará sem resposta”, afirmou o subsecretário da Segurança Pública da Bahia, Ary Pereira.

Do Aratu On