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O governador Rui Costa (PT) afirma que não será uma voz defensora de eventual processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. O tema passou a ser discutido nos últimos dias depois que o ex-juiz Sergio Moro, ao pedir demissão do cargo de ministro da Justiça, acusou o chefe do Palácio do Planalto de interferência política na Polícia Federal.

Em entrevista ao programa Isso é Bahia, na Rádio A TARDE FM, na manhã desta quinta-feira, 30, o governador afirmou que sua prioridade será gerenciar a crise causada pelo coronavírus. "Eu não serei o que puxará esse tema do impeachment. O meu foco será salvar vidas humanas, preparar o estado para enfrentar até junho o pico da crise, e após junho trabalhar para a retomada econômica e social", apontou.

Rui Costa ressalta ainda que um processo de cassação poderá agravar o quadro em que o Brasil se encontra. "Se o país tiver que enfrentar agora um trauma político-social para fazer o impeachment, a vida do ser humano vai ser colocada em segundo lugar. Acho que se o presidente não tem capacidade, ele peça licença, renuncie. Deixa o vice assumir alguns meses para ver se as coisas caminham", sugeriu.

De acordo com o governador, alguns comportamentos recentes do presidente em meio à crise sanitária têm agravado a relação entre os poderes. "Na democracia, o exercício do diálogo é fundamental, mesmo que esteja dialogando com pessoas que pensam diferente de você. Com quem, nesse um ano e quatro meses de governo, o presidente conseguiu estabelecer um diálogo profícuo e maduro? Com o Judiciário, não conseguiu. Não conseguiu com os prefeitos, com os governadores. Está parecendo uma metralhadora giratória agredindo todo mundo", comparou Rui Costa.

Para o petista, Bolsonaro trata o problema da pandemia com desdém. "Eu acho que ele deveria demonstrar, como presidente da República, um mínimo de sentimento de humanidade em um país que já tem mais de cinco mil mortes e, logo, logo, terá mais de 10 mil mortes no ritmo que vai. Ele trata com desprezo, com desdém. Uma hora diz que não é coveiro, outra diz 'e daí se está morrendo gente, o que tenho a ver com isso?'. É como se ele não fosse presidente da República", afirmou.