O ex-juiz federal Sérgio Moro comentou os impactos da Lava Jato no âmbito político e os reflexos ao longo do tempo. Em entrevista a Mário Kertész hoje (13), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, o jurista afirmou que a operação, coordenada pelo Ministério Público Federal (MPF),  mostrou como a integridade da administração pública foi afetada com a corrupção. "Foi um puxado de novelo, que veio muito maior do que todo mundo imaginava. É uma coisa gigantesca. O saudoso ministro [Teori] Zavascki tinha uma frase de que puxava-se uma pena e vinha uma galinha. As coisas foram crescendo e tinha esse mega-esquema de corrupção e subornos na Petrobras. Contaminou a integridade da administração pública por anos, depois  gerentes, diretores da Petrobras e milhões de provas no exterior e depois aqueles políticos implicados", afirmou Moro. 

De acordo com o ex-magistrado de Curitiba-PR, causou espanto o tamanho da corrupção no setor público. Moro afirmou que a operação serviu para mostrar que a corrupção ficou naturalizada. "Nós ficamos espantados. Outros também tiveram valores apreendidos e bloqueados. Ficou constatado que a corrupção tinha se naturalizado. Virou uma prática: a pessoa ia fazer um contrato com a Petrobras, as grandes empreiteiras tinham acertado já uma taxa que iriam pagar. Era 1 a 3% em todo contrato para esse pessoal. É um retrato do loteamento político dos cargos públicos. Um partido coloca um gerente ou um diretor na Petrobras, ele recebe o dinheiro, fica com parte e repassa para o grupo político", comentou. 

A colaboração de empresários e diretores foi fundamental para o andamento da investigação, de acordo com o ex-ministro da Justiça. Sérgio Moro declarou que, embora tivessem vazamentos dos acordos de delação premiada, diversos esquemas foram revelados. "Eles revelaram toda a dimensão do esquema criminoso. Eles estavam fazendo uma colaboração, vazava alguma coisinha ou outra na imprensa e era muito difícil controlar essas informações. Eu sou contra, totalmente, aos vazamentos, mas surgiu alguma coisa aqui e ali, mas, on the record, foi minha percepção de que não teria mais retorno. Era uma coisa muito grande, não tinha como abafar. Não que eu quisesse, mas tinha muita gente querendo abafar", disse o ex-juiz federal. 

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