Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (10), Mário Kertész falou sobre a decisão do presidente Jair Bolsonaro de enviar ao Líbano uma missão humanitária chefiada pelo ex-presidente Michel Temer, filho de libaneses. MK ressaltou que é importante se solidarizar com a tragédia, mas questionou se é necessário executar uma ação como essa diante da situação da pandemia do coronavírus no Brasil. No sábado (8), o país atingiu a marca de 3 milhões de infectados e 100 mil mortos por Covid-19.

"Tragédia no Líbano, todo mundo está sendo solidário e é obrigação da gente ser solidário com todas as tragédias. Mas aí o presidente Jair Bolsonaro, que não tem a mínima empatia, nem solidariedade com os 100 mil brasileiros mortos e 3 milhões de infectados, resolve mandar uma missão humanitária para o Líbano e convida quem pra chefiar, que aceita com enorme prazer? O ex-presidente Michel Temer. Há muito tempo eu venho dizendo aqui que Temer hoje é um dos conselheiros da nova fase que o presidente Bolsonaro está vivendo. (...) Agora, você acha que justifica mandar uma comitiva presidida por um ex-presidente lá pro Líbano, enquanto aqui no Brasil o povo tá passando fome e miséria, e morrendo? E tem outra coisa: Temer aceitou. Eu até gosto dele como pessoa, é um sujeito muito educado e gentil. Entrevistei ele várias vezes e sempre foram entrevistas alegres até. Ele precisa de licença da Justiça porque o passaporte dele está retido. Nada contra Temer aceitar, nada contra Temer ir, agora tudo contra ter que mandar uma missão. Se é pra ser solidário, pega carne, frango da JBS e leva pra lá. Não precisa de magnata nem personalidade pra chegar lá e dizer que é filho de libaneses. É um gesto bonito, mas peraí, rapaz. Estamos precisando concentrar nosssos esforços aqui pra resolver a pamonha que estamos vivendo. Ou não é?", disse.

MK também citou a informação de que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) pagou R$ 86,7 mil em espécie por salas comerciais, bem como os depósitos feitos pelo ex-assessor Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro, e ironizou as aparentes irregularidades. "Flávio Bolsonaro declarou no depoimento dele que ele pagou umas salas que ele comprou com R$ 86 mil em espécie. E aí? Perguntado, ele disse que era um dinheirinho que ele tinha guardado. E os depósitos na conta da primeira-dama, que já ultrapassam R$ 80 mil, feitos por Queiroz e a mulher de Queiroz. De onde vem esse dinheiro? E vai ficar por isso mesmo? Essas coisas é que não podem. (...) Ameaça de fechar o Supremo vai ficar por isso mesmo? Então pronto. Se for assim, né...", pontuou.

metro1